Um minuto de silêncio!

Estava trabalhando com um grupo de professoras quando acabara de sair o
veredicto final do julgamento de um crime hediondo e de repercussão nacional:
o da menina Isabela. Pretendia trabalhar e passar as bordas desse episódio, já
que nada mais se podia fazer. Já era fato consumado. Contudo, uma
professora trouxe o tema ao grupo e assim manifestou-se:
“Essa história do pai e da madrasta terem matado a menina Isabela mexeu
muito comigo”. “Senti-me muito incomodada, por tudo que a história traz e,
principalmente, pela covardia do pai e pela fragilidade e “desproteção” da
criança nas mãos da madrasta e do pai…” continua ela, pensativa. “Tantas
crianças sofrem violência em seus lares… vindas de pessoas despreparadas,
descontroladas e ignorantes… Como protegê-las?”
Fiquei em silêncio, pensativa também. A seriedade/reflexiva do grupo me
emocionou. Acredito que fizemos um minuto de silêncio pela morte dessa
menina e de todas as outras de que nem soubemos, sem termos combinado.
Outra professora, igualmente pensativa, continuou falando como se fosse o
mesmo discurso, tamanha a sintonia que se fez, naquele silêncio/reflexivo,
entre as professoras: “Esse caso ficou conhecido, mas quantas crianças
sofrem em seus lares sem saber a quem recorrer? Talvez, sejamos nós as
únicas pessoas que poderiam ajudar… Nós acabamos sabendo o que acontece
em casa, mesmo que seja de forma indireta…”
Outra professora engatou na fala da colega e prosseguiu: “Aconselhei uma
mãe, nessa semana a ter mais paciência com a filha. Expliquei que bater não
adianta nada, não educa e ainda por cima ensina a ser violento. Mas sabe o
que a mãe me disse? Que ela tinha entendido tudo que eu tinha explicado,
mas que não sabia como fazer isso em sua casa, quando estava com seus
filhos… Me senti inútil! É tão difícil! Como? Como ter paciência! Como ter
tempo? Como se controlar na hora da pressa e da raiva? Como!”(levanta os
braços como que para louvar ou pedir ajuda dos céus!)
Nós educadores podemos ajudar, e muito. Por isso é tão importante os pais
recorrerem à escola quando se sentirem perdidos e precisando trocar idéias. A
escola é lugar de profissionais que estudam a educação e lá é possível trocar
idéias. Ninguém tem uma resposta pronta e certa, mas podemos construí-la a
partir da partilha verdadeira. As professoras presentes, apesar do sentimento
de impotência, sabiam como aconselhar e encaminhar novas e melhores
ações.
Não podemos deixar de ajudar quando percebermos que as relações entre pais
e filhos vão mal, e, em último caso, até denunciar. Situações de final trágico
trazem esse gosto amargo na boca e a sensação de que, talvez, pudéssemos
ter ajudado a construir um fim diferente.

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2 Comentários

  1. Valdete disse:

    Olá!!! rsrsr , olha Izabel lembrei quando você colocou na palestra… jovem não diz olá!!! Adorei sua Palestra, alias os pais que foram adoraram!!!! Acho que eles ouviram o que eles queriam ouvir, eu como educadora também, essa matreria que terminei de ler agora a gente faz varias leituras e cada vez sinto mais responsavel ainda pelos meus alunos, mais tenho que ler para aprender a lidar com eles e com seus pais, muito obrigada, e obrigada por eu ter o OPORTUNIDADE de DEUS colocar você no meu caminho.Fica com Deus e que ele te de mais e mais condições de espalhar mais sementinhosno coração das pessoas.Um beijo no coração , Você é uma pessoa maravilhosa e abençoada. Valdete

  2. Paulo disse:

    Uma criança linda, cheia de vida e que merecia só carinho, mas aqueles monstros não souberam controlar -se emocionalmente. Faltou DEUS na vida deles. Faltou crença religiosa. Faltou… foi tudo para eles.. faltou amor, carinho paternal. Tomara que ele, o pai esteja agora sentindo falta da filha, cheio de remorso. Mas tem que pagar por aquilo, pela monstruosidade de um covarde. Nunca foi pai e sim um grande tomador de conta da menina. Jamais a amou. Se a ficha cair um dia se quer na vida dele, verá que um monstro esteve dominando-o o tempo todo.
    Não é fácil educar corretamente um filho (a) aos moldes da sociedade, mas diante dos ensinamentos que consolidamos desde as primeiras ordens de nossos pais e das primeiras professoras do Ba Bá e, ainda, as nossas próprias escolhas para a formação do nosso “EU”, nosso caráter, nossa índole, podemos repassar para nossos filhos, mostrando a eles o caminho certo e, também, o caminho errado. Eles necessitam tomar conhecimento de ambos e, ainda, saberem das consequências que lhes serão impostas, caso futuramente decidam trilhar para uma das supracitadas direções. Portanto, um mau caráter escolherá a trilha errada, se no início de sua vida teve exemplos maus que, às vezes, surgiram em casa. Porém, existem casos, em que apesar de maus exemplos dos pais, os filhos souberam trilhar na direção do bem. Mas, tenho certeza que lutaram bastante para não mudarem o leme. Não sou doutor no assunto, mas minha formação para o bem é muito sólida e quando fico sabendo dessas coisas brutais que estão acontecendo no mundo, isso causa-me uma grande revolta e não entendo porque os monstros só param quando destroem a vida de um ser humano indefeso. Por isso tenho certeza que a resposta de tudo é a falta de DEUS na vida deles.

    Drª Isabek Parolin, adorei sua palestra na EPCAR- Barbacena – MG

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