Por que é importante fazer cursos de Formação de Pais?

Para melhor responder essa pergunta, e defender a idéia da escola promover cursos
para pais, faremos um breve passeio histórico sobre a constituição familiar e o
exercício da autoridade parental.
Se estivéssemos na década de 50 essa pergunta seria um verdadeiro absurdo.
“Uma criança cresce como todas as outras, obedecendo cegamente seu pai sobre o
olhar vigilante e carinhoso da mãe”, responderiam todos em coro.
Se estivéssemos vivendo na década de 60, nos responderiam que devemos
educar nossos filhos como nossos pais educaram… ”É difícil, mas tem de ser assim,
assim é que é o certo… Ou não?”
Já na década de 70 (tempos de pais “desquitados”), as pessoas diriam que
você tem de mudar, ser mais amigo, entrar na onda. “É inútil remar contra a maré… É
muito importante ser amigo do filho, por isso tome cuidado com o que diz ou pede para
eles… É melhor entrar na onda!”
Na década de 80, os pais (separados/divorciados e recasados) diriam que
educar não pode ser uma tarefa difícil… “Tem de ser mais fácil, pois todos têm de ser
felizes!” Se a criança perturbasse muito, os pais cederiam, pois ninguém merece se
incomodar com filho… “Pra quê tanto esforço?”
Já na década de 90, os pais obedeceram a seus filhos até a exaustão… Até
não agüentarem mais… E correram pedir ajuda! Muita coisa ruim aconteceu por falta
de cuidado, de autoridade, de educação e de conhecimento.
Foi nessa década, a de 90, que os temas relacionados a família, educação,
segurança e saúde tomaram corpo e força social. A legislação se alterou, as escolas
se reorganizaram e as famílias estão tentando se reformular.
Hoje, vivemos a era do conhecimento.
Se por um lado já sabemos que as crianças não vêm com manual de
instruções, por outro lado, é de consenso que cada uma é única em sua forma de ser
no mundo, que ela faz parte de um grupo, de uma espécie e que ela irá se humanizar
a partir da inserção em sua sociedade.
Portanto, é inadmissível vermos e jovens sofrendo por falta de conhecimento e
educação de seus pais. Não se pode imaginar uma criança indo à praia sem protetor
solar, uma mãe colocando sal num corte entendendo que é assim que cicatriza, um
pai passando uma faca fria em cima de um hematoma, ou ainda, alguém deixar de
comer manga ou melancia a noite com medo de morrer.
É verdade que cada pessoa nasce sem o seu manual de instruções e isso
ocorre, acredito, para que tenhamos a alegria de ir conhecendo e formando-a para a
nossa sociedade. Entretanto, não se pode imaginar que nos tempos de hoje os pais
não tenham um grupo de informações que tornem a vida mais segura, mais produtiva,
mais competente e, certamente, mais bela e prazerosa.
Sorte ou azar faz parte dos tempos antigos. Hoje vivemos os tempos do
trabalho, da construção e do conhecimento.
A escola tem tido um papel importante na construção do novo cidadão,
principalmente, encaminhando os pais para as questões relacionadas à qualidade das
1 Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional. Palestrante para Pais e Educadores. Autora, dentre
outros, dos livros: PAIS EDUCADORES: É proibido proibir? E PAIS EDUCADORES: Quem tem tempo
de educar? Ambos pela editora Mediação e o APRENDENDO SEMPRE: Em casa e na escola, pela
editora Pulso. Contato: www.isabelparolin.com.br
2Texto retirado do curso de Educação para Pais em Segurança Infantil da ONG Criança Segura
aprendizagens. Lembrando sempre que para uma pessoa aprender necessita ter, em
casa e na escola, ambientes educativos favoráveis às boas aprendizagens.
Você ainda duvida da importância dos pais se formarem para poderem bem
formar seus filhos?

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1 Comentário

  1. Paulo disse:

    Dra. Isabel,
    Jamais duvido disso, ainda mais nos atuais dias. Os jovens de hoje são totalmente diferentes de nós, de antigamente. Hoje eles saem para a balada às “zero h” e antigamente às “zero h” a (s) Cinderela (s) deveriam retornar. E, sem elas na balada os rapazes não ficavam perambulando pelas ruas. Tudo está mudado nos dias atuais. Precisamos atualizarmos sempre. Tenho uma filha maravilhosa, 15 anos, e hoje vivo com essas preocupações das festas nos finais de semana. Não é mole não.
    Um abraço Dra. Izabel Parolin. Parabéns pelo seu trabalho. Sua palestra na EPCAR foi um sucesso.

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