AS RELAÇÕES EDUCATIVAS NA ESCOLA

AS RELAÇÕES EDUCATIVAS NA ESCOLA
Ou
Como interagir com os alunos conquistando-os para melhores aprendizagens

Isabel Cristina Hierro Parolin

O senhor… Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam (ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2001, p. 39

O PROFESSOR É UM SER ESPECILAISTA EM RELACIONAMENTO

Guimarães Rosa nos faz lembrar, de forma brilhante, que as pessoas, ao viverem suas histórias, afinam ou desafinam, fazendo-nos pensar ora no carater efêmero das relações com o mundo, ora na possibilidade de todos nós promovermos transformações e outras ou novas aprendizagens.
O processo educativo se dá à medida que uma criança vai se apropriando dos códigos da sociedade em que está inserida e essa imersão social é que fará o processo de humanzação desse sujeito. Dito de outra forma, educar é humanizar, socializar e enculturar uma criança (CHARLOT, 2012) viabilizando que a mesma desenvolva maturidade suficiente para ler o mundo e inserir-se de modo adequado.

Portanto, o processo educacional se dá a partir de ”pensamentos, palavras e obras,” cuja intenção de ensinar redunde em efetivas aprendizagens.
Nessa perspectiva, observar e estudar modos diferentes e eficazes para promover melhores relaçãoes entre o professor, seus alunos e o que necessita ser ensinado é tema essencial da escola. Esse conhecimento, quando praticado, permite que se possa entender a dinâmica educacional em sala de aula, as aprendizagens que lá ocorem ou deixam de acontecer. E ainda, sabe-se que quando desvelamos o estilo de aprender dos alunos, assim como o de ensinar do/a professor/a, abre-se novas possibilidades de mediar melhores aprendizagens. Seria o processo de “afinar” o grupo.
A qualidade das relações em sala de aula, portanto, quer seja entre os alunos, ou entre professor e aluno, determina “Como” acontecerá a relação entre o aprendente – aluno e o conhecimento – conteúdos propostos pelo professor.
O professor é um profissional – maestro, que trabalha na diversidade, com grupos de diferentes e nas diferenças.
Nessa perspectiva, a tarefa de ensinar ou de ser professor ganha uma nova dimensão: ele não é somente um “dador de aulas”, mas, também, um profissional que é requisitado para resolver problemas que ocorrem “entre” os alunos e seus afins. Essa nova tarefa trouxe uma outra necessidade para a formação profissional do professor/a, que é a de buscar outros saberes, outras parcerias, outros profissionais para que possam resolver as questões de convivência em sala de aula.
O pressuposto, portanto, ser compromisso do professor promover boa ambientação para que os alunos sintam-se encorajados a aprender, fica óbvio. Apesar dessa obviedade, essas relações, nem sempre são compreendidas como deflagradoras de sucesso ou insucesso em sala de aula. E mais, muitos professores não percebem ou não se implicam nos resultados realcionais da sua sala de aula: “esses alunos não querem nada com o estudo, são conversadores, não prestam atenção!” Ou ainda, não se sentem preparados para gerenciar as relações e suas consequentes manifestações em sala de aula: “Não sei mais o que fazer, eles não respeitam e não obedecem!”.

A APRENDIZAGEM É ATO RELACIONAL

A aprendizagem e o ensino pressupõem envolvimento. É ato realcional que requer um ensinante que tenha a clareza de que o seu envolvimento em sala de aula determina a possibilidade dos alunos, igualmente, envolverem-se e aprenderem. Sem o sentido que o professor dá aos encaminhamentos educativos e aos conteúdos trabalhados, muito possivelmente, os alunos não conseguirão apropriar-se do que foi “ensinado”, dando sentido aos conteúdos. Essa falta resulta, muito comumente em “não aprendizagem”. Exclama um professor:. “Eu ensinei, mas parece que ele está bloqueado: não aprende!”
Gosto muito quando o Pedro Demo afirma que o professor é aquele que sabe fazer o aluno aprender. Saber fazer pressupoem reflexão e ação.
Planejar uma aula é, sobretudo, pensar nas redes relacionais que se estabelecem no processo de aprender e ensinar. Todos os aspectos do planejamento e execução da aula contemplam, intencionalmente ou nao, aspectos interativos. A saber:
• Conteúdo: a relevância dos temas e sua função social. A aprendizagem como ferramentas de inclusão social. Ex: “Vamos à feira anotar os preços das frutas e depois vamos resolver algumas questões.” E que esse momento seja, verdadeiramente, um problema a ser resolvido e não uma tarefa sem sentido.
• Metodologia: que contemple um aluno real, que está aprendendo a pensar, que tem um estilo de aprender, um corpo que necessita expressar-se, emoções que calam ou geram movimentos. Ex: “Cada grupo vai tentar resolver a questão proposta. Depois vamos discutir qual das proposições iremos seguir”
• Ambiente educativo: como se apresenta a sala de aula. Se ela está poluída com coisas e cartazes sem sentido ou significado para os alunos, se os móveis viabilizam concentração e conforto para pensar e trabalhar, se os materiais são atrativos. Há iluminação, ventilação e silêncio necessários à concentração e envolvimento?
• Clima emocional em sala de aula: os alunos têm liberdade para perguntar, conversar entre eles, tem coragem de expor suas dúvidas, suas hipótese? São encorajados? Decidem? Podem errar? São corrigidos? Têm possibilidade de refazer? Confiam entre si e no professor?

Sendo a sala de aula um espaço da diversidade, o professor, como o adulto responsável dessas relações, assume o papel de quem cuida e educa. Penso em Leonardo Boff (2011, p. 33) quando afirma que “cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, representa mais que um momento de zêlo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.”
Quando o professor toma consciência da importância da qualidade das relações em sala de aula e da repercussão do seu gesto (linguagem corporal), pode autorregular-se e promover melhores momentos, que conquistam alunos para melhores aprendizagens.
Muitos professores sofrem estresse, muitos alunos são inconvenientes e não aprendem porque ainda não entenderam que as pessoas “afinam e/ou desafinam” e que o processo de “fazer bonito juntos” é trabalho coletivo, partilhado.

1 Comentário

  1. neide disse:

    Gostei muito do tema abordado,pois a relação entre aluno e professor vai muito além de ensinar.

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