A Aprendizagem em tempos de Web ou As Interfaces entre a aprendizagem, as redes sociais e a comunidade educativa

XII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação – Recife/2014

A sociedade complexa que se pauta no conhecimento (patrimônio resultante das conquistas da humanidade) e na educação (única forma de individualizar, socializar e humanizar uma pessoa), não comporta pensamentos simplistas ou explicações recortadas como: “o mundo mudou e os nossos alunos não respeitam mais ninguém!”

O que mudou?

Como promover aprendizagens diante das inovações científicas e tecnológicas?

Os valores atribuídos ao mundo do [1]consumo, da rapidez e do descartável modificou alguns encaminhamentos educacionais no seio da família, fato que repercute no dia a dia da escola. Mudou, inclusive, o conceito de família.

Como continuar sendo família e desenvolver seu papel formador?

É de consenso que nenhuma nova invenção, a priori, deixa a anterior obsoleta! Contudo, sabe-se, também, que todos os avanços que a sociedade promove em ciência (conhecimento) e tecnologia (instrumentos de mediação social), incitam mudanças. Esse patrimônio só se configura como bem para a comunidade se esse mesmo grupo de pessoas promover a apropriação desses instrumentos mediadores. Isso aconteceu com as tecnologias e seus equipamentos. Grande número de pessoas  utiliza a tecnologia para mediar suas relaçoes sociais e, mesmo os mais resistentes, acabam cedendo às suas facilidades e rapidez.

As redes sociais, hoje, têm o mesmo efeito agregador que tinham as praças dos tempos antigos – um lugar de encontro.

Contudo, todo o arsenal que a web oferece só se configurará um instrumento no desenvolvimento pessoal e comunitário se as pessoas conseguirem estabelecer relações educativas através dessas mediações.

Portanto, apesar da forma de relação ter se modificado, nossas crianças e jovens precisam estabelecer relações com qualidade, que garantam um modo de viver e conviver de acordo com os valores que sustentaram, historicamente, as organizações sociais até os dias de hoje. Para exemplificar: não é por que uma criança tem desenvoltura surpreendente diante de um iPad que ela poderá deixar de almoçar ou fazer suas tarefas.

Acolho muitos depoimentos que ora enaltecem as benesses que os equipamentos oferecem ao dia a dia da família, ora lamentam o mau uso desses instrumentos. Os educadores, divididos entre direcionar educativamente as crianças e respeitar uma habilidade que a criança desenvolveu, sem que os adultos os tenham orientado, sofrem inquietações, sentem duvidas, vacilam e, muitos, por vezes, acabam por eximir-se da tarefa educativa.

Com facilidade, ouviremos mães reclamando que seus filhos dormem muito tarde por que não conseguem desligr seus jogos eletrônicos, que as crianças não brincam entre si por que ficam no Tablet ou iPadS, que ao invés de estudarem, ficam em seus chats de bate-papo.

Por outro lado, os professores queixam-se de alunos desatentos, que dormitam ou ficam respondendo mensagens durante as aulas.

As lógicas diferentes que se criaram a partir da expansão das tecnologias, resultaram, também, em  diferentes formas de desenvolver esquemas mentais e, por conseguinte, tendem a ficar cada vez mais complexas as elaborações.

Na escola tem sido forte o movimento de tentar controlar esses acessos ou ainda, de utilizá-los como instrumento e forma de “entrar na onda.”

A grande conquista que essa geração precisa protagonizar é desenvolver as aprendizagens que os capacitem aos mergulhos reflexivos para a construção do Ser – o ser cognoscente: um aprendiz que conhece sua dinâmica  existencial e compreende, respeita e atua, adequadamente, em seu  mundo.

Esse é o desafio da escola de hoje: provocar as aprendizagens que [2] humanizam e promovem a adequada inserção social, entendendo os limites e as conquistas  dessa geração que é conectada, mas impaciente; hiperativa,  com atenção limitada a pequenos intervalos de tempo; que não pensa em linearidade, mas em descontinuidade; que tende as multitarefas; que desrespeita seus eduadores e se identifica com ícones mediáticos; que vive no senso de urgência, aliada ao fato de usarem as novas tecnologias com melhor desenvoltura que seus educadores, mas que precisa de ajuda para focar no aprender.

A escola detém uma qualidade de valor inestimável a essa geração – a possibilidade do encontro e das trocas presenciais – face a face e não podemos deixar de considerar que um Ser se faz em relação.


[1] Ideias que se apoiam na obra de Zygmunt Bauman nas obras Amor Líquido, Modernidade Líquida e Sobre Educação e Juventude, publicados no Rio de Janeiro, na editora Zahar,  2000, 2001 e 2013 respectivamente.
[2] Ideias desenvolvidas a partir do pensamento desenvolvido por Bernar Charlot, emPode o ato de ensinar ser considerado uma violência ao aluno? In: ANDRADE, Fernando. (org) Escolas: faces da violência, faces da paz. João Pessoa: editora Universitária, 2012, p. 73-86
[3] Ideias desenvolvidas a partir do pensamento desenvolvido por Bernar Charlot, emPode o ato de ensinar ser considerado uma violência ao aluno? In: ANDRADE, Fernando. (org) Escolas: faces da violência, faces da paz. João Pessoa: editora Universitária, 2012, p. 73-86

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