Sobre Mim

Sobre mim

 

Não sei se decidi ser professora ou se cumpri uma trajetória, com profundas e imperceptíveis marcas sociais, identificadas posteriormente, na minha adultez. O fato é que de professora normalista a estudante de Pedagogia, foi um processo e uma seqüência de fatos que pareciam ser óbvios, tanto para mim quanto para os meus pais.

Sou a primeira filha e a segunda neta de uma família italiana radicada no Brasil. Meus avós tinham muito orgulho do nosso nome de família e sempre ficou muito claro, para todos nós, que um dos objetivos sociais da nossa família era marcar positivamente, na nova pátria, o nosso nome. Como filha mulher não poderia perpetuar o nome em meus descendentes, portanto, restava-me apenas trabalhar para dignificar a minha família e, conseqüentemente, o meu sobrenome.

Tão logo me formei normalista fui trabalhar como professora da rede pública, em um bairro pobre da cidade de Joinville, interior de Santa Catarina e fazer a faculdade de Pedagogia.

A escola em que fui trabalhar tinha um inusitado critério para dividir o trabalho entre os professores e de “premiar” os bons profissionais. Quem demonstrasse esforço, dedicação e competência, poderia escolher “boas” turmas (entenda-se como boas turmas as quarta ou terceiras séries que dão menos trabalho). Aos novatos, como eu, era dada a oportunidade de merecer o reconhecimento, para posteriormente, “ganhar” uma turma de terceira série. Caso a professora continuasse a esforçar-se ela teria direito ao prêmio máximo: uma quarta série. Portanto, a minha primeira turma como professora regente foi uma turma multiseriada, com alunos que deveriam deixar a escola por estarem com idade limite e que não eram alfabetizados. Como boa estudante, uma legítima Parolin e aspirante a uma “boa” série, fui à luta.

Dediquei-me ao máximo para alfabetizar meus alunos, mas não consegui… Consultava os meus cadernos de didática, de prática de ensino e nada! No ano seguinte, a diretora deu-me nova oportunidade: uma outra turma, equivalente a uma primeira série, com as mesmas características da anterior, para ver se eu conseguiria melhores resultados. Esforcei-me muito mais, estudei, procurei e, no entanto, muito pouco consegui. Quando perguntava para as professoras de quarta série como elas conseguiram, elas só me diziam que era muito difícil…

Apesar de não ter obtido o sucesso esperado, recebi um elogio público do prefeito de Joinville, juntamente com o reconhecimento profissional que me possibilitaria escolher uma boa série.

Era tarde! Eu já estava muito envolvida com os “porquês” da educação e como prêmio, pedi outra “série ruim”.

Por que meus alunos não aprendiam? Por que não conseguiam ler se eram tão ágeis e tinham tanta vontade… Por quê? Essas perguntas me atormentavam e me mobilizavam profundamente.

Na prática, fui compreendendo que as coisas não aconteciam como nos livros e que havia fatores que dificultavam a realização do meu sonho adolescente – ensinar a todos, indiscriminadamente.

Nessa época, vivi um importante momento de despertamento. Deixei meus ideais adolescentes de salvar a humanidade para tornar-me competente para o contexto a que eu pertencia. Resolvi abandonar meus cadernos, minhas teorias e minhas ilusões e buscar, mais e novos autores e metodologias que pudessem apoiar o meu trabalho, de forma a torna-lo realmente competente.

Em meio a todo esse movimento pessoal, fui morar em Curitiba, transferi a faculdade e, posteriormente, casei-me.

Trabalhei em instituições públicas e privadas, como professora, orientadora pedagógica e educacional. Ouvi muitos professores e alunos, senti muitas alegrias e amarguei algumas frustrações.

À medida que fui tendo meus filhos, senti necessidade de reduzir minhas atividades profissionais para dedicar-me à educação deles.

Tive quatro belos, queridos e amados filhos.

Concomitante, ao nascimento dos meus filhos, trabalhei como voluntária em uma creche. Fundei com, amigos, uma comunidade de atendimento às pessoas carentes e estudei muito. A idéia norteadora da Oficina Solidariedade é a educação pelo trabalho e a sua administração é feita pela própria comunidade, até os dias de hoje.

Quando meus filhos já estavam mais independentes, retomei as minhas atividades profissionais, buscando respostas para as inúmeras perguntas que fui armazenando ao longo da minha vida profissional, em meu trabalho voluntário e na educação de meus filhos.

Fui fazer a pós-graduação em Psicodrama Pedagógicoobjetivando entender melhor os movimentos dos grupos e as peculiaridades do aprendiz. Sentia necessidade de olhar o aprendiz de uma forma mais completa e entendi que o Psicodrama me daria este suporte teórico-prático. Nessa pós-graduação fiquei de 1988 a 1994, entre formação, supervisão, trabalho corporal e trabalho pessoal.

Foi uma época muita intensa. Mudei o meu paradigma, os meus modelos, a minha forma de trabalhar e de entender o mundo. Mudei os meus conceitos de educação e de aprendizagem. Elegi novos mestres e construí novos saberes.

Também me divorciei e me tornei chefe de família…

Comecei a trabalhar em instituições, com grupos de alunos, professores e pais. Quanto mais eu trabalhava com grupos mais eu clarificava as minhas teorias relacionadas à aprendizagem e com o sujeito aprendiz. Interessava-me profundamente o processo de construção da aprendizagem, as especificidades de cada aprendiz e o contexto em que ele estava inserido.

Nesse período despertei para a atividade clínica e, junto com o processo de formação em Psicodrama, fui fazer Pedagogia Terapêutica.

Na seqüência fiz o mestrado em Psicologia da Educação, em São Paulo, posto que em Curitiba, naquela época, o meu tema em Psicopedagogia não era aceito.

Em meio a tantas construções e mudanças, conheci duas pessoas que significaram muito para mim. Com uma delas eu me casei e com outra eu me juntei.

Como o meu marido, Francis Mourão, é médico homeopata, ele apresentou-me, de forma prática, o universo das energias, da totalidade, das conversas com os outros profissionais, enfim, um modelo clínico sistêmico.

Conheci a Laura Monte Serrat Barbosa como minha professora, e hoje a tenho como amiga e parceira e a homenageio como minha primeira mestra em Psicopedagogia. Ela me apresentou a Psicopedagogia e me mostrou que o que eu fazia tinha um nome e que a forma de eu atuar tinha um grupo.

Participei da fundação do grupo de estudos e, posteriormente, da Associação Brasileira de Psicopedagogia – seção Curitiba. Tenho participado de todo o movimento ligado à Psicopedagogia, na minha cidade, no meu estado e no Brasil. Sinto-me completamente envolvida com a causa da Psicopedagogia e dos Psicopedagogos.

Tenho trabalhado em clínica, atendendo crianças e jovens que encontram dificuldades em seu processo de aprender. Trabalho, também, com as famílias dos aprendizes em busca de reconstruir dinâmicas familiares que sejam mais propícias ao desenvolvimento e mais sadias. Sou supervisora de vários profissionais psicopedagogos. Trabalho como consultora regular de algumas instituições. Sou consultora esporádica de outras. Tenho dado aulas em cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e áreas correlatas, na cidade de Curitiba e em outras cidades. Dou palestras para pais, alunos e profissionais de escolas. Escrevo para jornais e sites. Participei como autora e orientadora em artigos científicos, alguns publicados em periódicos científicos. Participo de programas de rádio e TV.

Tenho como prática profissional procurar conversar e trocar com outros profissionais de áreas afins, acerca de teorias, casos clínicos e possibilidades de trabalhos. Participo de um grupo interdisciplinar que oferece trabalhos relacionado à busca de “Viver e Conviver”, de forma harmônica, para as escolas e outras comunidades.

Muitos cursos, estudos e participações em eventos entremearam a minha trajetória profissional e, conseqüentemente, a minha construção pessoal. No entanto, as marcas da professora, em busca da sua competência profissional, ainda pulsam em mim.

Ao escrever esse memorial, ao tentar organizar a minha história profissional, percebi que muitos fatos de minha vida pessoal tinham determinado o meu percurso profissional. Que muitas pessoas e suas áreas de trabalho tinham influenciado o meu “fazer” profissional. A todas elas, sou muito grata.

Sinto-me como a adolescente que se apresentou na escola municipal tendo em uma das mãos, com grande trunfo, o seu diploma de normalista, e na outra, a grande vontade de conseguir…

Hoje, me apresento como Professora e Psicopedagoga, tendo em uma das mãos os meus teóricos e na outra a minha grande vontade de conseguir…

Essa eterna vontade de ir além!

Muitas coisas aconteceram, muitas aprendizagens foram construídas. Muitas pessoas importantes têm passado por minha vida e vivem em mim. Muitos autores tocaram o meu ser, porém, a diferença essencial que a maturidade me trouxe o cantor Milton Nascimento, sob forma de meu ego auxiliar, explica na canção:

“… Já não sonho e hoje faço

com os meus braços o meu viver…

…Solto a voz nas estradas

Já não posso parar…”

E me comove profundamente, tocando o meu coração.

Abraços,

Isabel Cristina Hierro Parolin

Curitiba, março de 2007.

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Livro “A APRENDIZAGEM ENTRE A FAMÍLIA E A ESCOLA.”

Livro 15

Isabel Parolin

Psicopedagoga Clínica. Atende crianças e jovens em seus processos de aprender e as famílias dessas crianças, redimensionando as dinâmicas familiares. Consultora Institucional de Escolas públicas e privadas em vários estados brasileiros, promovendo qualificação dos educadores, quer sejam os professores, orientadores ou os pais dos alunos.

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